terça-feira, 25 de novembro de 2008

Segura-me

Segura-me com a sua mão delicada,
e, inexplicavelmente,
dissimula todo um cruzar de olhares desatentos e pacíficos,
provocando o desconforto de quem com a situação lidar não sabe.
Muito mais do que um simples gesto,
muito mais do que a humildade subjacente.
Entusiasma-me com estórias que seduzem
uma consciência muda
e impressiona-me com expressões enigmáticas
que contemplo atentamente.
Porém, num ápice,
tudo toma outro rumo.
Rumo ao incógnito conhecimento,
à mentira desmesuradamente insensível e desumana,
à existência inflexível e inapropriada de um só espírito.
A cautela é fatal e intimidante.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Inspira-me

Inspira-me como se tivesse a ousadia de me alcançar.
Alcança-me com o ar de quem não compreende a realidade.
Impressiona-me como uma melodia inigualável.
Todo e cada delito é tido como indiferente,
e qualquer suavidade é salientada por notas que tocam em harmonia,
nostálgica e sem piedade.

Assim o é.

E assim o será.

domingo, 23 de novembro de 2008

Dia zero

É o cessar de qualquer tipo de raciocínio forçado,
de qualquer pensamento pormenorizado,
de qualquer acto conjecturado de antemão.
Faz como se fosses tu.
Deixa que todos sejam cada um.
Porque, depois de hoje, nada mais vai ser análogo ao que era.
É o princípio do fim e de um começo sem fim.
Deixa que o teu corpo se apodere de ti mesmo.
Deixa-te cair, como se de uma loucura se tratasse.
Deixa-te envolver,
Arrisca,
Sente.

É o dia zero.

sábado, 22 de novembro de 2008

Quando...

Ilusões que se formam em prol de todo um conhecimento que pensamos dominar.
Sentimentos infrutíferos que transtornam almas até que nada lhes reste.
Dias calmos, tranquilos e sossegados contrastando com noites tempestuosas e solitárias.
Olhares que valem mais que qualquer sorriso,
E sorrisos que não permitem avaliar o que lhes está subjacente.

Palavras que não dão luta,
Lutas que não toleram dois vencedores.
Existências desorientadas por mentiras persistentes e maliciosas.
Nada que nos una ao tudo longínquo, inconquistável e inalcançável.
Um sofrimento incessante e secreto que não permite denúncias.
Ideais modelados a partir de uma realidade distorcida que não apaziguam o presente.
Desmedidas são elas, porque as fazem perdurar no tempo.
Não conjecturadas antecipadamente, não têm piedade de quem as sente.
Assim são as desilusões da existência de cada ser.


Who do you really know?
Who do you really trust?